Homem conferindo o relógio no por do sol.

O horário de verão é uma questão que causa bastante comoção e opiniões diversas entre os brasileiros.

É muito comum vermos enquetes sobre o tema em redes sociais de figuras públicas e/ou influenciadores, portais de notícias, como Folha de São Paulo, Estadão e outros. E o resultado também divide opiniões.

A justificativa do horário de verão – medida que adianta o relógio dos brasileiros por uma hora para aproveitar os dias mais longos da estação – é a economia de energia. Mas será que isso é mito ou verdade?

Neste texto, vamos abordar esse ponto e buscar entender se a economia realmente acontece, olhando por três óticas diferentes: o horário de verão na indústria, nos setores comerciais e no consumo residencial.

Mas antes, um pouco de história:

De onde surgiu o horário de verão?

O horário de verão foi uma medida criada pelo Presidente Getúlio Vargas ainda nos anos 30 – mais especificamente no verão de 1931 e 1932.

Entre 1931 e 1985, o horário de verão não era algo fixo, acontecendo ano sim e ano não. À partir de 85 ele se tornou oficial, com os estados participantes bem delimitados e uma coordenação nacional bem mobilizada.

A justificativa, desde Vargas, era a economia de energia. Partiu- se do princípio que, os dias são mais longos no verão brasileiro e, ao adiantar o relógio em uma hora, seria possível aproveitar melhor a luz do dia. Consequentemente, usando menos as lâmpadas de casas, comércios, indústrias e gerando economia de energia..

Em 2019, o horário de verão foi descontinuado após 35 anos de adoção contínua. Foi a primeira vez desde 85 que os relógios não foram adiantados em 1 hora.

Na época, o próprio Ministério de Minas e Energia deu seu parecer, dizendo que a medida era desnecessária e que não levava em conta os maiores gastos de energia elétrica do país: as indústrias, empresas e o comércio.

Agora, ao que tudo indica, ele vai voltar. Mas fica a dúvida: há economia de energia no horário de verão de verdade?

Verdade ou mito: há economia de energia no horário de verão?

Ampulheta com areia rocha em uma praia.

Para encontrar a melhor resposta, precisamos lembrar que o Brasil de 2023 é bem diferente do Brasil de 1931.

Na época de Vargas, os eletrônicos eram bem menos eficazes do que hoje. As próprias lâmpadas residenciais eram incandescentes, modelo que tem sido substituído pelas fluorescentes e as LEDs, mais eficazes.

Com as casas em 1931 repletas de lâmpadas incandescentes, o consumo somente para iluminação era muito maior naquela época. Portanto, o horário de verão se justificava.

Um novo estudo em 2022, conduzido pela ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico – cimentou de vez o entendimento que o horário de verão não traz economia.

A justificativa é que, apesar da redução do consumo na ponta (termo para o horário de pico do final da tarde) o consumo aumenta pela manhã – quando está escuro e mais luzes são acesas, inclusive na iluminação pública.

💡 Para entender melhor sobre as faixas dos horários de pico, confira o nosso conteúdo: Horários de pico de energia: qual o impacto na sua conta de luz?

A economia de energia no horário de verão para os setores comerciais

Mulher posa em frente a uma vitrine de padaria.

Então, podemos dizer que, com base no estudo da ONS, o horário de verão não traz uma economia real de energia quando consideramos o consumo residencial, familiar.

Mas e as indústrias, comércios, bares, hotéis e restaurantes? O que esses setores dizem sobre a economia de energia no horário de verão?

Vamos saber agora, um por um:

Setor de lazer e turismo é a favor do horário de verão

O setor mais entusiasmado com a possível volta do horário de verão, com certeza, é o de turismo e lazer.

Para os donos de bares e restaurantes, a iniciativa é ótima porque permite que as pessoas fiquem mais tempo nos happy hours, andem mais pelas cidades turísticas e consumam mais no geral.

Porém, bares e restaurantes admitem que essa é uma visão comercial, de vendas, e não deixam de notar que a economia de energia é irrelevante.

Suas geladeiras e frigoríficos ficam ligados o dia todo, então o horário de verão acaba não trazendo mais economia de energia.

Setor industrial é indiferente ao horário de verão

Paulo Pedrosa, diretor da Abrace – Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres – afirmou que para as indústrias o horário de verão não muda muita coisa na economia de energia industrial.

Em entrevista ao Estadão, ele afirma que:

“[as indústrias] já mudam o consumo de energia ao longo do dia e organizam a produção para diminuir esse gasto no horário de ponta, uma vez que para elas a energia já é muito cara”.

Setor de comércio vê apenas poucos benefícios comerciais

Na mesma matéria do Estadão, o economista Marcel Solimeo, vê apenas alguns benefícios comerciais em cidades turísticas e um leve crescimento das compras de impulso.

A economia de energia, para ele, é indiferente. As lojas costumam ter um sistema de iluminação que não depende tanto da luz natural, portanto a economia de energia seria baixa nos horários de ponta.

Relógio com despertador azul em gramado.

Conseguimos tirar suas dúvidas sobre o horário de verão?

O parecer mais recente da ONS foi emitido pensando também nas usinas solares para geração distribuída, assunto que sempre abordamos aqui no blog.

Para continuar essa conversa, te recomendo nosso texto sobre as energias renováveis: é apenas a energia solar?

A gente se vê no próximo texto, é só clicar no link acima. Obrigado pela leitura e, se tiver dúvidas, deixe um comentário!

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